Preservar evidências digitais após um golpe

Guia informativo · Leitura aproximada: 6 minutos

Saiba como guardar mensagens, comprovativos e registos de forma segura e responsável. Evite alterar nada e procure apoio autorizado de entidades, banca ou forças de segurança.

Por que é importante preservar corretamente

Preservar evidências digitais de forma correta aumenta a probabilidade de que sejam aceites por entidades bancárias, plataformas ou autoridades. Documentos bem conservados ajudam a reconstruir a sequência dos factos e a provar a ocorrência da fraude.

Uma preservação negligente — apagar mensagens, editar imagens ou não registar quem teve acesso aos ficheiros — pode comprometer a credibilidade das provas. Qualquer ação sobre uma conta, dispositivo, sistema ou dados deve ser autorizada pelo titular.

Primeiros passos imediatos: não apagar e documentar

Ao suspeitar de fraude, não apague mensagens, e-mails, histórico de conversas ou notificações. Mesmo mensagens embaraçosas podem ser prova. Fazer alterações diminui a utilidade das provas.

Registe imediatamente o que aconteceu: hora, data, perfil ou endereço do remetente, montantes transacionados e qualquer instrução recebida. Anote também as ações que toma depois — isso faz parte da cadeia de custódia.

Guardar mensagens e comprovativos: boas práticas

Sempre que possível, exporte ou faça cópias dos ficheiros originais. Para e-mails, exporte a mensagem completa (quando a opção existir); para conversas, use a função de exportação da aplicação. Se não houver exportação, capture ecrãs que incluam data e hora visíveis.

Mantenha os ficheiros exportados em formatos não editáveis (quando disponível) e faça pelo menos duas cópias em suportes diferentes: armazenamento local e cópia externa segura. Lembre-se: só proceda sobre contas ou dispositivos de que seja titular ou mediante autorização escrita do titular.

URLs, cabeçalhos e registos técnicos

URLs de páginas usadas durante o golpe devem ser copiadas exactamente (incluindo parâmetros) e, se possível, guardar uma cópia da página tal como aparece no momento (guardar página, PDF ou captura). Esses registos ajudam a perceber a origem e a natureza da fraude.

Os cabeçalhos de e-mail e registos de transacção contêm metadados relevantes. Utilize as funcionalidades do seu cliente de e-mail ou da plataforma para ver e exportar cabeçalhos. Se não souber como fazê-lo, solicite apoio técnico autorizado ou a intervenção de peritos forenses para não alterar provas.

Integridade e cadeia de custódia

Conservar a integridade das provas significa não manipular os ficheiros originais. Trabalhe sempre sobre cópias e documente cada cópia criada: quem a fez, quando e com que finalidade. Se possível, peça a um profissional autorizado para criar imagens forenses dos dispositivos.

Em contextos formais, peritos usam técnicas de cadeia de custódia para provar que os ficheiros não foram alterados. Mesmo sem acesso a um perito, mantenha registos claros e segure as cópias em locais diferentes e protegidos por palavra-passe ou encriptação.

A quem contactar e como partilhar provas com segurança

Contacte de imediato a entidade bancária, a plataforma usada ou o fornecedor do serviço para reportar o incidente. As instituições têm procedimentos para bloquear operações e solicitar provas. Em muitos casos, também é apropriado apresentar queixa às forças de segurança.

Ao partilhar provas, proteja dados sensíveis: envie cópias encriptadas ou use plataformas seguras indicadas pelas entidades. E lembre-se: só entregue acessos ou senhas se for explicitamente solicitado por uma autoridade ou perito devidamente autorizado e com justificação clara.

Perguntas frequentes

Quanto tempo devo guardar as provas?

Guarde as provas enquanto durar o processo de resolução ou até as entidades (banco, plataforma, polícia) indicarem o contrário. Não há prazo único; manter cópias por alguns meses é normalmente prudente.

As capturas de ecrã são suficientes como prova?

As capturas são úteis mas podem ser questionadas quanto à autenticidade. Sempre que possível complemente com exportação nativa de mensagens, e-mails com cabeçalhos ou recibos oficiais. Registe também quem fez as capturas e quando.

Posso partilhar as provas nas redes sociais para alertar outros?

Evite publicar provas publicamente: além de poder comprometer uma investigação, pode expor dados pessoais sensíveis. Antes de divulgar, consulte a entidade afetada ou as autoridades e remova dados pessoais de terceiros.

Devo confrontar a pessoa que me contactou?

Não. Confrontar um alegado fraudador pode pô-lo em risco ou levar à perda de provas. Direccione a situação para a sua entidade bancária, plataforma ou forças de segurança e siga orientação profissional.

Preciso de um perito forense digital?

Se o caso envolver valores significativos ou se as entidades solicitarem, um perito autorizado pode criar cópias forenses e documentar a cadeia de custódia. Certifique-se de que qualquer intervenção em contas ou dispositivos tem autorização do titular.

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