Fraude com criptomoedas — organize provas e documentos
O que conta como evidência útil
Nem tudo é igualmente útil para investigar uma fraude. Priorize informações que comprovem transações, comunicações com o golpista e qualquer movimentação financeira vinculada ao seu caso.
Documentos originais, registros de transação e comunicações com remetentes ou plataformas são mais valiosos do que anotações informais. Mantenha tudo organizado e evite alterar os arquivos originais.
- IDs de transação (TXID), hashes e registros on‑chain
- Endereços de carteira (remetente e destinatário) e valores transferidos
- Comprovantes de depósito, saques e transferências bancárias relacionadas
- E-mails, mensagens de aplicativos, prints de tela e gravações de chamadas
- Dados de conta em exchanges (nome, e‑mail, ID), e comprovantes de KYC se houver
Como coletar transações e endereços de forma organizada
Comece listando cronologicamente as transações suspeitas com datas, horários, montantes, taxas e redes usadas (por exemplo, Bitcoin, Ethereum). Exporte relatórios transacionais quando a plataforma permitir.
Inclua o máximo de contexto: qual endereço enviou/recebeu, notas de transferência, e qualquer identificação da contraparte. Evite manipular os registros originais; faça cópias e mantenha os originais intactos.
- Crie uma planilha com colunas para data, hora, moeda, valor, endereço de envio, endereço de destino e TXID
- Exporte arquivos CSV/PDF da exchange quando disponíveis; salve telas e URLs relevantes
- Anote a cadeia de custódia: quem teve acesso aos arquivos e quando
Registrar comunicações e comprovantes
Mensagens com golpistas, convites de links, instruções recebidas e recibos devem ser salvos em ordem cronológica. Inclua metadados sempre que possível, como cabeçalhos de e‑mail e timestamps.
Se a comunicação ocorreu por aplicativo de mensagens, exporte o histórico oficial (se o app permitir) ou faça capturas de tela completas que mostrem data, hora e identificação do interlocutor.
- Salve e‑mails completos com cabeçalho e anexo; não edite o conteúdo
- Faça capturas de tela inteiras (não recortes) e salve os arquivos originais
- Guarde comprovantes bancários e de cartão relacionados a compras de cripto ou transferências
Preservação de dispositivos e dados (ações autorizadas)
Preserve aparelhos usados no episódio (celular, computador, hardware wallets). Não tente reinstalar sistemas ou deletar arquivos — alterações podem prejudicar uma análise forense. Qualquer ação sobre conta, dispositivo, sistema ou dados deve ser autorizada pelo titular.
Quando possível, documente o estado do dispositivo (modelo, número de série, sistema operacional) e solicite apoio de um perito forense autorizado para criar cópias forenses sem comprometer evidências.
- Desconecte dispositivos da internet para evitar perda de dados, mas só com autorização do titular
- Anote números de série, endereços MAC e IMEI; não compartilhe chaves privadas ou seeds
- Considere um laudo pericial digital realizado por equipe autorizada, se disponível
Organizando arquivos e formatos recomendados
Use um sistema de pastas com nomes claros (por exemplo: 2026-07-10_transacoes.csv) e mantenha um índice mestre que descreva cada arquivo. Prefira formatos não proprietários para cópias (CSV, PDF, PNG, MP4) e preserve os originais em uma pasta separada.
Registre notas de contexto para cada item (como de onde veio o documento, quem entregou, data de obtenção) para manter a cadeia de evidência compreensível para suporte, exchanges e autoridades.
- Mantenha um arquivo de log/descritivo (texto) com resumo de cada documento
- Armazene backups em pelo menos dois locais seguros (disco externo, nuvem com criptografia)
- Evite compactar ou alterar metadados dos arquivos originais; se necessário, mantenha cópias não modificadas
Quando e como acionar exchanges, suporte e autoridades
Contacte a exchange ou serviço onde a movimentação ocorreu o quanto antes, enviando um pacote organizado com evidências relevantes (planilha de transações, comprovantes e comunicações). Use os canais oficiais de suporte e peça um número de protocolo.
Se houver crime configurado (golpe, extorsão, furto), registre Boletim de Ocorrência e entregue as evidências físicas e digitais solicitadas. Busque assistência de peritos forenses digitais e assessoria jurídica quando apropriado; qualquer investigação técnica deve ter autorização por escrito do titular.
- Envie apenas através dos canais oficiais das plataformas e guarde registro do contato
- Inclua resumo executivo, lista de arquivos enviados e número do protocolo
- Considere acompanhamento por advogado ou perito para formalizar pedidos às exchanges e às autoridades
Perguntas frequentes
Quais evidências a exchange costuma pedir?
Muitas exchanges pedem IDs de transação, screenshots das transferências, comprovantes de depósito bancário, e cópias de comunicações com a contraparte. Cada plataforma tem procedimentos próprios; envie sempre via suporte oficial e mantenha cópias dos arquivos enviados.
Devo mudar senhas e desativar contas imediatamente?
Sim, é recomendável proteger suas contas e dispositivos, mas toda ação direta sobre contas ou dispositivos deve ser autorizada pelo titular. Habilite autenticação de dois fatores e altere senhas com cuidado. Se houver suspeita de comprometimento forense, consulte um especialista antes de ações que possam alterar evidências.
Posso compartilhar minha seed ou chave privada com peritos?
Chaves privadas e seeds são sensíveis. Não compartilhe com desconhecidos. Se for necessário fornecer acesso a peritos ou autoridades, faça apenas mediante autorização por escrito e com profissionais de confiança ou mediante determinação judicial.
Como registrar um Boletim de Ocorrência por fraude cripto?
Leve ao registro policial todas as evidências organizadas: histórico de transações, comprovantes e comunicações. Explique cronologia e impactos. A autoridade pode solicitar arquivos originais ou perícia técnica; considere apoio jurídico para formalizar o procedimento.
Quando devo contratar um perito forense digital?
Contrate um perito quando houver necessidade de preservação técnica dos dispositivos, validação da integridade dos arquivos ou quando as exchanges/autoridades exigirem laudo técnico. As atividades forenses devem ser realizadas por profissionais autorizados e com autorização do titular.
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